Desencontro contemporâneo
Das coisas mais difíceis da vida são os encontros.
Esse tropeço que leva o cruzar de olhos e reconhecimento de almas. Mas não há mais olhos se encontrando. Apenas esbarrões, toques sem tato, um quase atravessar de corpos como sombras. Semitransparentes. O sangue ainda corre, o coração pulsa, mas estão todos ocupados demais para ouvir qualquer coisa.
“Me desculpe“.
Possuem também seus fones de ouvido. Atravessamos vidas de forma tão superficial que não parece que as mãos foram dadas em algum momento. Nem sequer que nossos corpos habitaram desejo num mesmo instante. A desconexão é instantânea, tal qual tirar o cabo da tomada. Ali já não há mais energia, não há mais vida.
O relógio marca 18h, mas não há ninguém à espera.


